O que aprendi após 18 anos no papel de pai

O que aprendi após 18 anos no papel de pai

 

Só saberia começar esse texto de uma única maneira, escrevendo: Meu amor, minha linda, minha filha.

Quem lê pode pensar: “Nossa que pai mais possessivo”.
Mas é justamente o contrário. Aprendi que amar não é proteger em demasia, nem acompanhar cada passo, muito menos vigiar. Amar é confiar e estar ao lado, se fazer presente, mas só aproximar se for solicitado. Atuar muito mais pelo exemplo do que através de constantes sermões. “O famoso faça o que eu mando, mas não faça o que eu faço” definitivamente não funciona.

Ser pai é permitir que a cria exerça uma boa parcela de autodidatismo da vida. Aprenda a cair e levantar, a exercitar a sua própria defesa em seus problemas do cotidiano, com o colega na sala de aula, com disputas por espaço, com questões de convívio social. Descobrir seus limites e respeitar o dos outros. Não ser uma casca de ovo que trinca fácil, ser resistente e ao mesmo tempo flexível.

Ser pai é um eterno aprendizado, uma dúvida cruel, se aquilo que estamos fazendo é o mais correto, mesmo sabendo que no nosso íntimo estamos no doando ao máximo.

Ser pai, sobretudo é ficar atento aos sinais, as mudanças que ocorrem nessa incrível transformação hormonal, física e psicológica. Entender que também já fui criança, adolescente e passei por dúvidas, receios e frustrações semelhantes, sem contar o enorme desejo de abraçar o mundo.

Ser pai significa uma constante doação, ser uma espécie de usina de amor, de compreensão, de carinho e dedicação. Entender que tudo isso é ótimo, mas na dosagem certa, senão corre o risco de sufocar, de não permitir que outras pessoas também possam se relacionar com a sua cria.

Ser pai é entender que os tempos são outros e aquilo que pra você era o máximo, para eles pode ser um grande mico. E tudo bem! Saber que aquilo que realmente transcende gerações deve ser oferecido para degustação, para que eles também possam apreciar.

Ser pai é aconselhar a cria a seguir a mesma paixão clubística, no caso, ser mais uma do bando de loucos, mas deixar a decisão por conta dela. É introduzir bons hábitos, como a leitura, boa música, amar toda forma de cultura, ter um olhar atento para a natureza e ensiná-la que o melhor remédio do mundo, que cura qualquer moléstia é o bom humor e rir das suas falhas e grilos. Entender que ninguém é perfeito, portanto não deve se cobrar tanto nem se levar a sério demais com tudo.

Ser pai é mostrar de uma forma muito sincera, que apesar de amar incondicionalmente, não irá passar a mão na cabeça nem acobertar falhas que poderiam ser evitadas. Se houve negligência, falta de empenho ou irresponsabilidade que aceite as consequências.

Ser pai é ensinar que o mundo não está nem aí para as suas lágrimas, que o planeta não vai deixar de girar por causa do ego ou desejos não realizados. Que a sua cria não é melhor do que ninguém e, portanto deve respeitar e se submeter às regras. Não furar fila, nem jogar papel no chão, respeitar os mais velhos e acima de tudo as diferenças. Nunca, eu disse nunca, ter qualquer tipo de preconceito.

E por fim, ser pai também é padecer no paraíso. Principalmente tendo uma filha como você!

Parabéns Filha, que saiba usufruir em sua vida tudo aquilo que lhe foi concedido nesses seus 18 anos. Que tenha a sabedoria de frutificar, de irradiar sua alegria, sua bondade e sua luz a quem esteja ao seu lado. E pode estar certa de uma coisa, eu serei sempre o primeiro a me abastecer dessa sua bateria de amor.

Que Deus te abençoe! Beijos.

Você é bonita!
Paizeirinhas

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