Entrevista do crioulo doido

Entrevista do crioulo doido

Tenho certeza que assim como eu, muitos já passaram por uma entrevista de emprego e saiu dela, pior do que entrou. É mais fácil cometer um suicídio ou dar nó em paralela do que tentar entender o que se passa na cabeça de alguns selecionadores. Nada contra eles, afinal, na maioria das vezes, estão apenas cumprindo ordens. O dono da empresa, ou o chefe manda e quem tem juízo obedece, sempre foi assim e eu é que não tenho a pretensão de mudar. Mas não havendo remédio, e se, remediado está, eu posso ao menos rir um pouco de tudo isso. E de antemão recomendar: Se mate.
No geral, a esmagadora maioria que busca emprego está numa situação psicológica bastante alterada, aflito, contraindo-se na cadeira para evitar um lamentável desconforto intestinal em frente do recrutador. Se riu, é porque já aconteceu com você. Não adianta negar. Ainda mais se aquela oportunidade é o emprego dos seus sonhos.
Mas permita-me justificar o título do post. A entrevista do crioulo doido, não foi feita por um afro descendente, nem por um gerente de recursos humanos de um sanatório, refiro-me ao samba brilhantemente composto pelo escritor e jornalista Sérgio Porto, sob pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta. A insanidade começa já na pesquisa da vaga. Antes se gastava sola, visitando as empresas e entregando curriculum ao porteiro/recepcionista ou agências de emprego, mas hoje, com a tecnologia, tem as redes sociais corporativas, que basta você conectar-se com as pessoas que você teve algum contato profissional. Você se conecta com eles, e essas conexões ligam você a lugar nenhum, pois todos, sem exceção, estão lá também para arrumar um emprego melhor. Mas tem o “trabalhe conosco” das empresas e também os sites de emprego. Basta cadastrar-se e torcer para que um infeliz tenha a iniciativa de pesquisar o lixo eletrônico. É uma pena, ainda não criaram o cargo de “carroceiro eletrônico” para fazer a reciclagem desses bancos de dados de milhares de sites espalhados. E o duro é que quando você está no finalzinho do processo, os espertalhões soltam a mensagem: Para concluir o cadastro e ter acesso a vaga desejada, escolha o melhor plano.  Basic, Premium ou “Ultrapremiumplus”.
E as perguntas para serem respondidas. E os testes psicológicos, as descrições de cargos. O sujeito tem que bater escanteio e cabecear, se o sujeito não falar inglês e espanhol, pode se matar. Será um diferencial se arranhar o mandarin e húngaro. Não sabe que o húngaro, é o idioma usado pelo diabo, então, corte a língua que ela não serve para nada. E de quebra a jugular. Você não tem mais jeito.
Você não tem MBA. Então não se enquadra em nenhum perfil profissional. Nunca saiu do país, nem cruzou a ponte da amizade para colocar no curriculum, oh dó! Seguindo a via sacra, no título do cargo, sempre em inglês: “Coach”, “Enterprise”, “CEO”, “Solution”, já repararam a criatividade dessa turma, cada nome pomposo que nem precisariam remunerar o contratado.  Basta dar-lhe um cartão de visita com o título que está bom demais. E a gurizada feliz, não está nem aí para a remuneração. E os empresários, claro, espertos, sacaram que isso reduz folha de pagamento e ordenam a turma do RH: “Só cargo em inglês, hein!”. Acho inclusive que numa crise criativa, o pessoal do marketing deve visitar o departamento de recursos humanos, com certeza, eles hão de sugerir uma bela ideia de campanha.
Se por um milagre da natureza, você consegue se enquadrar nesses quesitos, aí entra a questão salarial. A desfaçatez é tamanha dos empresários, dos contratantes e principalmente do Governo, ao dizer que a taxa de desemprego é a menor da história que nem vou gastar as pontas dos dedos digitando os valores oferecidos. Pera aí, eu já gastei tanto dedo cadastrando em sites do elo perdido, que vale um exemplo. Se eu não estiver errado, estamos em 2013. O plano real criado oficialmente em 27/02/1994. Há quase 20 anos. Nessa época, concorri a uma vaga de assistente de marketing, fui aprovado e o salário era de R$1.500,00. Justo para um profissional em início de carreira na profissão. Hoje, 20 anos depois, é comum, ver oportunidades publicadas para coordenadores, gerentes, com muito mais responsabilidades com o mesmo salário. Aí é fácil. Taxa de desemprego zero! Fala sério, não é coisa de gente normal ou que tenha o mínimo de compaixão com o infeliz que está em busca de um emprego.
Mas agora falando da entrevista em si, o ar de descaso do entrevistador. Ele ali te analisando, onde você coloca as mãos, para que lado olha, se respira tranquilamente, se o corpo está pra frente, se cruzou as pernas, se aceita a água, se tem boa dicção, se cortou as unhas, se usa gel, se o sapato está lustrado, se está perfumado, se aparou os pelos do nariz e da orelha, se não está com mal hálito ou bafo de pinga. Se os punhos da camisa estão com vinco e por aí vai. E quando, por motivos de distância, a entrevista é em inglês e pelo Skype. Pronto! Loucura, loucura, loucura diria o apresentador.  Não tem Skypatória, você ali, feito louco, falando para a tela, sem o menor retorno se está sendo ouvido. Literalmente falando sozinho. E quando o entrevistador repete consecutivamente a mesma pergunta, achando que você tem perda de memória recente. Deus do céu!
Depois entra a questão sócio-econômico: Onde mora, se a casa é própria; que carro tem, se tem direção hidráulica, ar condicionado, se os pneus estão careca, se está pago; onde os filhos estudam, se em escola pública ou particular; se a mulher trabalha; se tem despesas extras com a amante; se o relógio é de marca; se a caneta no bolso for bic, já era! Se o cara está com o nome sujo na praça; se o sujeito já colocou alguma empresa no pau; se brigou com o chefe na empresa anterior, esquece, ninguém contrata gente que questiona.
Passando por tudo isso, aí entra a questão saúde: Se tem diabéticos na família, pelo amor de Deus, quem não tem? É o mesmo que a musica Ciranda da bailarina do Chico. Se procurar bem, todo mundo tem pereba, tem piriri, lombriga, ameba, tem verruga, tem frieira, tem piolho, tem irmão meio zarolho. Quanta pergunta sem sentindo. Se o cara tiver hemorroida então, aí vai mais uma vez o conselho. Se mata.
Passando por toda essa maratona, carteira assinada, você fica contando os dias para completar o período exigido pela previdência social para a aposentadoria. E você com muito custo, paciência, gastrite, consegue se aposentar e receber um salário mínimo. E o pior, sem ter direito a uma bolsa família. Mas a vida é assim mesmo, você sentado, babando no sofá e a sua filha, vem lhe apresentar o seu novo neto. Você olha a carinha banguela dele e aconselha: Estude e trabalhe como eu estudei e trabalhei para chegar ao ponto que cheguei. E o bichinho sorri, sem entender nada e golfa na sua calça.
É meu querido, agora não adianta reclamar, algumas vezes eu aconselhei: Se mata! Mas você não me ouviu, você é mesmo um grande de um teimoso!

Estou brincando, que tal buscar o apoio profissional, alguém que possa ajudá-lo, um Coach por exemplo.

Se você acha que faz sentido, buscar aquilo que ama, que o faz sentir-se pleno, o coração batendo mais forte, mas, de alguma maneira você está com dificuldade em colocar em prática, que tal consultar um profissional de desenvolvimento humano. Tenho certeza que poderei ajudá-lo(a). Como? O primeiro passo é preencher o formulário abaixo. Será um prazer poder caminhar junto nesse novo desafio.

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