Saber esperar

Saber esperar

Nas minhas observações da natureza aprendo demais. Não me canso de contemplar cada detalhe, aliás, dizem que Deus está mimetizado nesses pequenos e singelos detalhes. Meus olhos, feito mira telescópica fica atento a essas obras de arte. Recentemente fui brindado por algo divino, excepcional, um presente aguardado por 2 anos e meio ou mais. Esse período foi uma espécie de teste diário e silencioso para acalentar qualquer tipo de ansiedade.
Vivemos numa sociedade onde tudo tem que ser pra ontem, nada pode esperar. Ouviu o toque viciante do celular, tem que ser respondido instantaneamente; a oferta anunciada tem que ser clicada ou adquirida no exato momento. Os desejos precisam ser saciados imediatamente. Resultado disso: Crianças sem infância, pois queriam ser adultos rapidamente, depois frustrados com o resultado, tornam-se eternos adolescentes, afinal, viver na barra da saia é mais confortável que alçar voo solo. Mas não era sobre a nova geração que eu me referia, se bem que o saber esperar também perpassa por ela. O que sinto é que a ansiedade tornou-se uma das mais graves doenças da nossa sociedade. Mal terminamos as festas de final de ano, já vejo a ânsia pelo carnaval, inclusive a nova morena global já está na tela toda “rebolativa”. Chegará o carnaval e o povo estará de olho na festa Junina e olha só, ansiosos pelo natal novamente. Um ciclo de ansiedade sem fim.
Tem uma frase daquelas de biscoito chinês que eu guardo comigo há mais de 10 anos, desconheço a autoria, ela diz: “Os anos ensinam muitas coisas que os dias desconhecem”. É fato, nessa constante corrida contra o tempo, as pessoas não estão mais apreciando a paisagem, que, na verdade é o melhor da viagem. Desejam logo chegar ao destino, ou seja, uma prova constante de saltos das etapas.
Não estou aqui fazendo apologia ao marasmo, à estagnação, a sentar a bunda na cadeira e deixar ao “Deus dará”. Não é isso, temos que nos mover em busca dos nossos desejos, objetivos e sonhos. Temos que nos preparar, planejar e, claro, executar. Mas tudo no seu devido tempo, sem atropelos, sem angustias, sem ansiedade desnecessária. Pois do contrário, se não curtirmos cada etapa, o resultado final normalmente não é apreciado o que gerará angústia, desapontamento e não raro acaba em depressão. É como um alcoólatra que bebe um vinho raro num só gole.
O presente excepcional a que me referi é essa flor. Conhecida como: Bastão-do-imperador é uma espécie de gengibre, com flores muito chamativas e vistosas, confesso que fiquei encantado com a sua beleza exótica. Ganhei uma pequena muda e com todo o cuidado e carinho, escolhi um local assombreado para ela no quintal de casa. Essa flor me ensinou que cada dia é importante para a sua elaboração. Que cada pétala, que a tonalidade, que os adereços estavam latentes, somente aguardando o momento certo de desabrochar. No meu caso, mais de dois anos. Nesse período continuei cuidando, regando, retirando as pragas ao seu redor e as folhas secas, aguardando pacientemente o tempo da natureza em florescer. Até que para minha surpresa um dia aconteceu, justamente no período de Festas! Foi meu presente de Natal e Ano Novo.
A vida é assim, faça a sua parte, sem ansiedade, que um dia será brindado com algo excepcional.
Feliz ano novo!

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