Escolhas

Escolhas

Na PNL (Programação Neuro Linguística) a palavra escolha é a mais fundamental de todas. São as escolhas de nossa vida que nos molda e nos conduzem diariamente a sermos o que somos ou até onde podemos chegar. Saber escolher a hora certa de atravessar a rua, escolher quando e qual alimento comer, aonde ir, com quem se relacionar, o que estudar, onde trabalhar, que carro comprar, que bairro morar, com quem se casar, que sogra ter, enfim, fazemos escolhas a todo instante, as vezes de maneira tão automática que nem percebemos mais.

Há um ditado na PNL que diz: “Uma escolha é nenhuma escolha. Duas escolhas são um dilema. Só depois de a pessoa ter acima de três opções é que ela de fato se torna capaz de escolher verdadeiramente”. Robert Dilts

Pois bem, vamos levar essa questão da escolha para os recentes fatos. No primeiro turno, dentre os candidatos apresentados, tivemos nosso livre direito de escolha. Opções fartas. Se os candidatos eram bons, isso é outra história, mas tínhamos escolhas. No primeiro turno, exercido o direito, restaram duas opções, ou seja, entramos num dilema. Ou candidato A ou D. Alguns dirão que votar em branco ou nulo também são escolhas. Teoricamente podem estar corretos, mas na prática não nos leva a um resultado satisfatório, pois no final das contas esse ato será descartado, ou pior, vai favorecer o candidato A ou D. Ou seja, por tabela, a decisão da não escolha, acaba sendo uma escolha entre o A ou D.

Quem é meu aluno, ou me conhece, sabe que gosto de dar vários exemplos, às vezes contar uma historinha para que fique mais fácil de assimilar. Aliás, a PNL usa muito esse sistema lúdico de fixar os conceitos. Esse exercício leva nosso consciente para um estado de relaxamento, quebra defesas, o que faz com que o conteúdo fique armazenado de maneira efetiva.

Então, vamos ao causo:
Meu amigo Leoncio, (nada a ver com Poncio), é um sujeito que não toma posição de forma alguma. Até hoje ele continua com esse hábito. Sempre em cima do muro, mesmo quando deseja profundamente uma coisa, acaba por se omitir e acatar a opinião dos amigos. É assim para escolher o local para a balada, o prato de comida, a pizza, a marca da cerveja, a cadeira que vai sentar no cinema, a roupa que irá usar, o celular que vai comprar, enfim, vive num eterno conflito, sempre numa mistura de ansiedade e angustia. Na verdade, no seu íntimo, ele tem a consciência que no final das contas, acaba sempre fazendo aquilo que os amigos escolheram. Sempre no embalo. Em algumas vezes, por sorte, ele se dava bem, pois a escolha da maioria coincidia com a sua. Mas na maioria esmagadora das vezes, ele acabava frustrado. Por não exercer o direito de escolha, vivia aprisionado aos dilemas que a vida lhe apresentada a todo instante.

Mas, o pior dos dilemas da vida de Leoncio, foi quando teve que pedir para o pai de uma garota que era apaixonado, sua permissão para namorá-la. Todo pimpão, perfumado, tênis de marca, bermuda e camiseta surfwear, estava se achando o Dom Juan. Por dentro, sentado no sofá de couro branco na sala de estar, tremia feito vara verde. A ansiedade era tamanha em ter que aguardar a pretendente se arrumar e a chegada do possível futuro sogro do trabalho.  Ocorre que durante o chá de sofá o meu amigo teve um revertério estomacal. Pontadas agudas de um lado e do outro. Contrações homéricas. Estrondos que mais pareciam trovões surgiam escandalosamente de sua barriga. Ele já estivera na residência antes, sabia que existia um pequeno lavabo entre a sala e a cozinha e, no andar superior, um banheiro mais confortável. Envergonhado em ter que fazer o número dois na casa alheia, afinal, (só mesmo o autor suporta o aroma de sua obra), acreditava piamente que poderia contaminar o ambiente da sala caso usasse o lavado. Num imenso dilema, achou que seria um abuso usar o banheiro oficial da casa, e se o pai dela chegasse e quisesse usar o local para tomar banho antes da conversa e ele estivesse ocupando o trono do rei do pedaço. O que o imperador iria pensar do possível futuro genro? Para encurtar a história, Leoncio segurou até onde pôde. Suava frio, tremia, retardou ao máximo o seu direito de exercer a sua escolha. Até que uma contração feito tsunami fez com que o coitado levantasse do sofá de couro branco, pior do que não escolher, era ficar estático sentado no mesmo lugar. Fez uns alongamentos, deus uns passos de um lado para o outro, respirou fundo. Limpou com a manga da camiseta a testa suada. Leoncio em milésimos de segundo teria que optar pelo lavabo ou pelo banheiro oficial. Mas como estava enraizado em seu comportamento, achou que era apenas mais um dos alarmes falsos, decidindo mais uma vez a não tomar nenhuma decisão, ou melhor, absteve-se da escolha, decidindo sentar-se novamente, ficando estático, suando em bicas no sofá de couro branco.  Alguns segundos depois, outro decisivo sinal fisiológico sacramentava que era agora ou nunca a hora de decidir. E como era de se esperar, o nosso amigo Leoncio, titubeou entre o lavabo e o banheiro oficial. Não preciso nem dizer que o intestino decidiu por ele. Por fim, sentiu na pela o resultado da sábia decisão. Bem, não queria ser indiscreto com o pobre do Leoncio, mas no fim das contas, do mesmo jeito que o povo brasileiro ao optar pelo candidato D, ele teve que conviver por um bom tempo, mesmo que apenas em memória, com o aroma desagradável de suas entranhas escorrendo pelas coxas, joelhos e canelas. E assim como o povo brasileiro, ele nunca se esquecerá em sua vida do trabalho que deu para desinfetar tudo. Bem, quanto ao sofá, esse não teve jeito, o prejuízo ficou na conta do quase sogrão burguês.

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