Inteligência Artificial

Inteligência Artificial

Nada que seja artificial me atrai. O que me interessa é o original, o genuíno. (exceto claro, aquele corrupto). Mas o genuíno é lindo. O puro, o sincero é sublime. Agora inventaram mais uma e querem que eu engula, essa tal Inteligência Artificial. E o interessante é que já vão rotulando aqueles que contestam. Aqueles que não veem tanto avanço assim como sendo ultrapassados, nostálgicos. Eufóricos, quase sem respirar, se gabam que haverá processamento em alguns anos, de algo semelhante a todo o processamento cerebral da humanidade. Que tudo estará conectado à internet, que tudo será interligado, tudo se comunicando, que ótimo, pensam os físicos, os cientistas, os investidores, e excitados, todos, principalmente aquela massa, aquele povo marcado, agora, chipado, ficam ansiosos em busca dessa tal de inteligência artificial. E surge o questionamento: Como eu vivi até hoje sem essa bendita Inteligência Artificial? Mas eu aqui no meio do mato, pergunto, pra que tanta pressa? Pra que tanto processamento? Uma pergunta que não quer calar? O que esse povo chipado fará com o tempo livre? Vai ler mais? Vai amar mais? Vai olhar mais para o próximo? Vai refletir mais? Vai cuidar mais do planeta? Ou vai se aprisionar e reduzir ainda mais o seu curral tecnológico? Nada que seja artificial me atrai, nem peito, nem bunda, nem pose, nem fogo, nem personalidade. O que me atrai, e seria mais útil, se ao invés de inventar o computador com inteligência artificial, que criasse o anticomputador sentimental, ou fazer uma canção de amor para gravar num disco voador, uma canção dizendo tudo a ela, que ainda está apaixonado, para lançar no espaço sideral. E eu tenho certeza que essa paixão há de brilhar na noite, no céu de uma cidade do interior, como um objeto não identificado.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *