Nadie sabe lo que tiene hasta que lo ve perdido

Nadie sabe lo que tiene hasta que lo ve perdido

É muito comum quando digo que além de tocar a minha consultoria de marketing, sou escritor e tenho alguns livros já publicados, as pessoas perguntarem surpresas como que arranjo tempo para escrever. Para cuidar da família, ter o blog, o site, participar do facebook, twitter, etc. Sempre digo que é a disciplina. Que ao invés de “perder” tempo em frente de programas de televisão, ou de ficar nervoso no trânsito de São Paulo, ou ainda, nas recepções de empresas, nos consultórios, ou nas salas de reuniões aguardando os empresários que acham bacana dar chá de canseira, vou ordenando os pensamentos e escrevendo de forma mental meus livros. Depois, repasso as conclusões para o computador.

Hoje um amigo que terminou de ler meu último romance: Companheira Solidão me ligou. Disse que estava ansioso para falar o que achou do livro. Que a história do Torradinho mexeu muito com ele, pois sem perceber, estava também nesse turbilhão da vida, sem tempo para as coisas que lhe dão prazer e que lhe motivam a continuar a caminhada. Fiquei muito feliz, pois mais uma vez o livro cumpriu o seu papel. E espero que possa ainda ser muito útil. Mas depois esse meu amigo, perguntou de onde surgiu a ideia de escrever Companheira Solidão. Como veio a inspiração, se Natan Castro existe mesmo. Se ele foi inspirado em algum empresário, perguntou sobre o título e muitas outras coisas.

Achei bacana o seu interesse e como meus leitores sempre me perguntam e possuem as mesmas duvidas, resolvi registrar o processo de criação de Companheira Solidão. Depois conto dos outros.

Como é importante para todo profissional de marketing manter-se informado, estava eu numa manhã lendo as inúmeras revistas que chegavam à minha mesa, quando gerenciava o marketing da Semp Toshiba. Isso em 2004. Uma minúscula matéria de canto, dizia: São Paulo é a terceira cidade do mundo em número de helicópteros. Muitos diriam: ”Que bacana Sampa deixou de ser a locomotiva para tornar-se o heliporto do Brasil”. “A importância de São Paulo e a sua pujança” Mas como me importo muito mais com gente do que com suas armaduras, pensei comigo: “Que triste. Quanta gente solitária, fugindo do contato humano”. Tudo bem, que temos um trânsito insuportável, que perdemos muito tempo, mas mesmo nos carros, a maioria esta apenas com o motorista. Solitários. Transportei-me para um balão imaginário e vi São Paulo do alto, totalmente solitária. Vi que o isolamento das pessoas. A falta de contato com o vizinho, com o colega do elevador, com o porteiro, o dono da banca de jornal, o carroceiro que puxa o nosso lixo reciclado pela cidade, enfim, ninguém tem tempo pra nada. Todos cegos e apressados.

O embrião de Companheira Solidão saiu dessa curta matéria. Em 2007 estive a frente de um projeto de exportação de produtos promocionais, através da APEXBRASIL, visitei diversos países, (Argentina, Chile, México, EUA, Portugal, Espanha e Itália) conhecendo o mercado promocional local, e, como observador que sou absorvendo ao máximo a cultura de cada país. Estive num museu no México e uma plaqueta abaixo de uma pintura me chamou muito a atenção. Mesmo sem permissão de fotografar a obra, pedi ao segurança se poderia clicar a frase, pois muito mais do que a própria pintura, era ela que me intrigava. O choque foi tamanho que ao chegar ao Brasil, reli os rascunhos, e recomecei do zero. Aproveitei parte do que já tinha escrito, mas a história pegou no breu de tal forma, que quando notei já tinha passado das 450 páginas. Comecei a cortar, mudei o formato do livro, e por fim ele terminou com 360 páginas. Ainda vejo muitos Natans pelas ruas, e torço para que eles não precisem passar pela experiência do personagem, nem que seja adotado pela Companheira Solidão. O livro talvez seja uma espécie de antídoto à Solidão.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *