O artista

O artista

Se a primeira impressão é a que fica, Jonathan tornou-se meu ídolo nesse instante. Sua entrada na sala de aula, sua apresentação com o violão debaixo do braço foi algo totalmente inusitado. Dedilhou algumas notas, em seguida, com seu jeito ritmado, como se as cortinas tivessem sido abertas para o espetáculo ele entoou sua canção inventada e improvisada na hora. Assim fica fácil, ganhou todos os alunos logo de cara. Com seu humor extremamente afinado, arrancava gargalhadas da molecada. Outros professores incomodados com a arruaça ou com o seu carisma batiam na porta para pedirem silêncio. Jonatham aproveitava para arrumar mais um motivo para entrar no roteiro do seu show e seguia em frente. Sabia como poucos transmitir o gosto pela cultura. Falava de arte, música, teatro com a desenvoltura de um verdadeiro artista. Era como se estivesse falando de si próprio. Morri de rir, alguns seguraram o quanto puderam para não se mijarem de tanto rir na explicação entre a diferença dos sons graves e agudos. Nesses meus trinta e poucos anos de estudo, tive ótimos professores, muitos deles exercendo o ofício quase de forma voluntária em virtude do baixo salário que recebia. Tive professores renomados, daqueles que estão nas revistas comentando economia, política, marketing, etc. Mas quando me lembro de um professor como referência, invariavelmente surge em minha memória o nome de Jonathan, que lecionava educação artística no ginásio numa escola da periferia. Vai ver que por influência de meu pai que antes de ir pra escola já me chamava de artista e eu não entendia o porquê. Hoje quando escrevo nos formulários dos hotéis a palavra artista no campo destinado a profissão, sem duvida alguma, foi devido às aulas de Jonathan.

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